Unha obra para parar e ver

ELÍAS TORRES FEIJO

TELEVISIÓN

22 oct 2002 . Actualizado a las 07:00 h.

Antón Vilar Ponte viveu entre 1881 e 1936. Desde os começos de século a sua actividade pública na Galiza e nos enclaves galegos de ultramar foi extraordinária, convertendo-se num dos autores mais prolíficos de toda a época. Sendo, ademais, elemento fundamental do galeguismo progressista, de que foi impulsor decisivo com as Irmandes da Fala mas nom só, bem pode compreender-se que estamos perante um dos melhores termómetros da história da Galiza da altura. Orgulhoso do seu pioneirismo, nom por isso carente de auto-crítica, foi além do rol de precursor, constantemente tentando vias de avanço do nacionalismo e da Galiza em funçom dos vários momentos convulsos que afrontou. A sua obra literária é reflexo disto, concebendo-a, aliás, como recurso para achegar o seu ideário ao maior número de pessoas. Assim, entre o desejo de inovaçom estética e essa vontade divulgativa, nom sempre exitosa, ela, como a sua dimensom de político, dirigente ou articulista, construi-se com mui transparentes «argumentos da naçom», sobre caciquismo e emigraçom sobretodo, de que som exemplo o vigor republicanista de A patria do labrego e a definiçom político-social já nacionalista de Almas mortas; através do Vagamundo aquela, que lembra obras de Gorki ou do republicano luso Guerra Junqueiro, com Pedro e Don Ramonciño (homenagem a seu irmao?) nesta. A sua obra e trajectória colocam também problemas ainda nom ultrapassados na vida galega actual, da concepçom sócio-económica à cultural ou lingüística, da ausência de projectos colectivos no país à articulaçom do Estado. Sem dúvida, um maior conhecimento da sua figura (tarefa que tem a Emílio Ínsua como primeiro activo) que hoje La Voz facilita, contribuirá para situá-lo no conjunto dessas figuras que como Castelao, Risco ou Otero, Portela Valladares ou Paz-Andrade explicam a naçom desde o pré-guerra. E a sua leitura será, ao lado de aceder a um processo que nos informa, boa oportunidade para «parar e ver».